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ITABIRA: 900 CASOS DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER POR ANO

Durante a roda de conversa “De Homem pra Homem”, realizada nesta quarta-feira (21) em Itabira, o delegado da Polícia Civil João Martins, que atua na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), apresentou dados alarmantes sobre os índices de violência de gênero no município. Segundo ele, nos últimos três anos a cidade registrou média anual entre 900 e 950 ocorrências, equivalente a cerca de três casos por dia.

“Falamos tanto da violência contra a mulher porque é uma violência que tem razão de gênero. A Lei Maria da Penha surgiu para tentar reequilibrar essa relação. Aqui em Itabira, 97% dos casos registrados envolvem homens como agressores”, destacou o delegado.

João Martins ainda ressaltou a importância de ampliar o debate para além da vítima, envolvendo também a responsabilização e reflexão do agressor. “É importante fortalecer a mulher, empoderá-la, fazer com que ela conheça seus direitos. Mas também entender o porquê dessa prática e buscar zerar os índices. Precisamos acionar toda a rede de apoio, delegacia, assistência social, Ministério Público, Polícia Militar, para evitar que a violência escale e chegue a um feminicídio. Em três anos tivemos apenas um caso, mas a meta é que não haja nenhum.”

Violência como problema estrutural

O promotor de Justiça Pedro Ribeiro também participou do encontro e reforçou a necessidade de ampliar a discussão sobre violência de gênero, especialmente envolvendo os homens.

“É muito importante que a gente sempre debata a questão da violência doméstica. Estamos no Agosto Lilás, mas isso é um processo que deve ser contínuo. E trazer os homens para essa reflexão é fundamental, porque muitas vezes eles ficam à margem do debate. Precisamos pensar: por que existe violência doméstica? Por que ela atinge as mulheres de forma tão intensa e não os homens? Esse é um problema cultural e estrutural, enraizado em nossa sociedade”, afirmou.

O promotor destacou ainda que a violência contra a mulher vai além das agressões físicas. “A Lei Maria da Penha abrange diferentes formas de violência: patrimonial, psicológica, moral e até no ambiente de trabalho. É preciso compreender que não se trata apenas de casos extremos. Muitas violências acontecem no cotidiano, de forma velada, e reproduzem uma cultura machista que ainda persiste em todas as esferas da sociedade”, completou.

Prevenção e consciência

Para o promotor, além do aspecto jurídico, que prevê medidas protetivas, afastamento do agressor do lar e até prisão em caso de descumprimento, a transformação social passa pela mudança de comportamento.

“Nós sabemos o que é certo e o que é errado, independentemente da lei. Por isso, precisamos como homens refletir e nos responsabilizar. O direito traz instrumentos de proteção, mas somente a conscientização e a mudança cultural vão nos levar a índices menores e, no futuro, à violência zero, que é o que desejamos”, concluiu.

Fonte: DeFato

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