Morre, aos 73 anos, o cantor e compositor Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina
Artista mineiro estava internado em Belo Horizonte desde o dia 17 de outubro por intoxicação medicamentosa. Ícone da MPB, Lô Borges deixa um legado inestimável para a música brasileira.
O cantor e compositor mineiro Lô Borges faleceu na noite do último domingo (2), aos 73 anos, em Belo Horizonte. Um dos nomes mais importantes da música popular brasileira, Lô foi um dos fundadores do Clube da Esquina, movimento musical que revolucionou a cena artística nacional no final dos anos 1960 e início dos 1970, ao lado de Milton Nascimento, Fernando Brant, Beto Guedes, Toninho Horta e Wagner Tiso.
O artista estava internado desde o dia 17 de outubro em um hospital da Unimed, na capital mineira, devido a um quadro de intoxicação medicamentosa — condição que ocorre pelo uso de doses excessivas de medicamentos, de forma acidental ou intencional. A informação foi confirmada pela reportagem do jornal O Tempo junto a familiares do cantor.
Durante a internação, Lô Borges chegou a ser entubado e submetido a uma traqueostomia, procedimento que cria uma abertura na traqueia para permitir a passagem de ar aos pulmões. Apesar dos esforços médicos, o quadro se agravou e o músico não resistiu. Ele deixa o filho Luca Arroyo Borges, de 27 anos.
Um dos grandes nomes da música mineira
Nascido em 10 de janeiro de 1952, em Belo Horizonte, Salomão Borges Filho — nome de batismo de Lô Borges — cresceu em uma família numerosa e profundamente musical. Era o sexto dos 11 filhos do casal Maricota e Salomão, e irmão dos músicos Márcio Borges, Marilton Borges e Telo Borges.
Desde jovem, destacou-se como um dos grandes talentos do Clube da Esquina, sendo autor ou coautor de canções que marcaram gerações, como “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, “Tudo Que Você Podia Ser”, “O Trem Azul”, “Para Lennon e McCartney”, “Feira Moderna” e “Paisagem da Janela”.
Lô foi o segundo integrante do grupo a falecer — o primeiro foi Fernando Brant, em 2015, aos 68 anos, vítima de complicações após um transplante de fígado.
Legado e carreira
Em 1972, aos 20 anos, Lô Borges lançou dois álbuns fundamentais da música brasileira: “Clube da Esquina”, em parceria com Milton Nascimento, e seu primeiro disco solo, conhecido como o “disco do tênis”, cuja capa — um par de tênis fotografado por Cafi — tornou-se um ícone da MPB.
Sua obra influenciou diversas gerações e foi gravada por nomes como Elis Regina, Tom Jobim, Samuel Rosa, Caetano Veloso, Beto Guedes, Nando Reis e Lobão.
Nos últimos anos, o artista mantinha uma agenda intensa de apresentações e lançamentos. Desde 2019, vinha lançando um álbum autoral por ano. O mais recente, “Céu de Giz”, com melodias de Lô e letras de Zeca Baleiro, foi lançado em agosto deste ano.
Em dezembro de 2022, ao completar 50 anos de carreira, o músico viveu um de seus momentos mais marcantes: uma apresentação ao lado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sob regência do maestro Fabio Mechetti. O espetáculo, realizado na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, celebrou seu legado e originou o álbum “50 Anos de Música”, lançado pela gravadora Deck e disponível nas plataformas digitais.
Um legado eterno
Figura central na história da música brasileira, Lô Borges deixa uma obra marcada pela sensibilidade, originalidade e profunda identidade mineira. Sua contribuição para a MPB permanece viva nas melodias que ajudou a criar e nas vozes que continuam a interpretar suas canções, símbolo de uma geração que uniu poesia, harmonia e brasilidade.
Fonte: O Tempo — otempo.com.br

