Nova vacina do Butantan contra a dengue pode imunizar quase 68% da população de Minas Gerais
Imunizante de dose única, aprovado pela Anvisa, é considerado avanço histórico no combate à doença e deve integrar o calendário nacional a partir de 2026
Uma nova frente de combate à dengue deve reforçar o sistema público de saúde brasileiro a partir de 2026. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (26/11), a primeira vacina em dose única contra a doença no mundo, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O imunizante, denominado Butantan-DV, marca um avanço significativo no enfrentamento da dengue — uma das arboviroses de maior impacto no país.
A vacina foi aprovada para pessoas de 12 a 59 anos, faixa etária que representa aproximadamente 13,9 milhões de mineiros, segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que cerca de 67,8% da população de Minas Gerais poderá ser contemplada pela nova estratégia de imunização, embora os grupos prioritários ainda serão definidos pelo Ministério da Saúde.
Eficácia e produção
Os resultados dos estudos clínicos apresentados pelo Butantan demonstraram índices elevados de eficácia. Na faixa de 12 a 59 anos, o imunizante registrou:
• 74,7% de eficácia geral contra a dengue;
• 91,6% de eficácia contra casos graves;
• 100% de eficácia na prevenção de hospitalizações relacionadas à doença.
De acordo com o instituto, 1 milhão de doses já estão prontas para distribuição. Além disso, uma parceria firmada com a empresa chinesa WuXi permitirá ampliar a capacidade produtiva, alcançando 30 milhões de doses no segundo semestre de 2025, garantindo a oferta necessária para atender todo o país.
A expectativa do Ministério da Saúde é incluir a vacina no calendário nacional de vacinação no início de 2026, ano em que deverá começar a ser distribuída às redes públicas estaduais e municipais.
Cenário epidemiológico e importância da nova vacina
A aprovação ocorre às vésperas do verão, período em que historicamente há aumento significativo na circulação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Somente em 2024, Minas Gerais registrou 114,7 mil casos confirmados de dengue e 138 mortes, números que reforçam a necessidade de ampliar as medidas de prevenção, monitoramento e controle da doença.
Com a chegada da Butantan-DV, o Brasil passa a ter uma alternativa nacional, de dose única e com alta eficácia, o que pode facilitar a adesão populacional e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde, especialmente nos períodos de maior incidência da enfermidade.

