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Morre a cantora Adriana Araújo, aos 49 anos, após aneurisma cerebral

O samba mineiro perde uma de suas vozes mais genuínas. Adriana Araújo, cantora, compositora e referência do samba em Minas Gerais, faleceu nesta segunda-feira, dia 02 de março, aos 49 anos, após complicações decorrentes de um aneurisma cerebral que sofreu no fim de fevereiro. A notícia foi confirmada pela equipe da artista nas redes sociais.

Na noite de 28 de fevereiro de 2026, a artista passou mal em sua residência em Belo Horizonte e desmaiou, sendo levada inicialmente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Exames posteriores no Hospital Odilon Behrens constataram que tinha sofrido um aneurisma cerebral com hemorragia de grande extensão, e foi internada em coma, entubada e sob cuidados intensivos. O quadro, considerado “gravíssimo e irreversível” em nota divulgada oficialmente pelo perfil da artista mineira, mobilizou uma grande corrente de fãs, artistas e admiradores que acompanharam sua luta pela vida nos dias seguintes.

Apesar do empenho das equipes médicas e das orações de amigos e familiares — que pediam respeito, sensibilidade e esperança nas redes sociais da artista — o socorro não foi suficiente para reverter os danos causados pela hemorragia. 

Trajetória

Nascida em 1976 na comunidade Pedreira Prado Lopes, na tradicional região da Lagoinha, em Belo Horizonte, Adriana Araújo cresceu imersa na cultura do samba – gênero que marcaria toda sua vida artística. Desde muito jovem demonstrou interesse pela música e pela expressão cultural, participando de oficinas de teatro e técnica vocal ainda na infância e adolescência.

Antes de se firmar como artista solo, integrou o grupo Simplicidade Samba, ao lado do sambista Evaldo Araújo, conquistando público nas renomadas rodas de samba do Bar do Cacá e outros espaços culturais de Belo Horizonte. Em 2020, iniciou sua carreira individual e, em 2021, lançou seu primeiro álbum autoral, Minha Verdade, um trabalho que traduz suas vivências, reflexões sobre ancestralidade, amor e identidade, e que a consolidou como voz própria no samba mineiro.

Ao longo de sua carreira, Adriana dividiu palco com grandes nomes do samba brasileiro – incluindo Leci Brandão, Fabiana Cozza, Arlindinho e Jorge Aragão – e participou de eventos culturais importantes da capital, como a Virada Cultural de BH, o Carnaval de Rua e a Virada da Liberdade.

Adriana Araújo era reconhecida também por sua presença forte e por ser uma artista profundamente conectada com suas raízes e com a tradição do samba mineiro. A artista se apresentava regularmente no Bar do Cacá, no bairro São Paulo, sendo uma das vozes mais celebradas do local. Parte significativa de sua carreira foi no endereço, onde passou a se apresentar especialmente nas rodas de samba de sábado à noite. Seu nome ficou diretamente associado à casa. Para muitos fãs e artistas da cidade, o local era sinônimo da própria Adriana Araújo, e a roda de samba perdeu, com sua morte, uma das intérpretes mais apaixonadas e talentosas de sua história recente.

Adriana Araújo vinha de uma sequência de shows no carnaval de Belo Horizonte e, na semana passada, marcou presença no evento “Pagode que Não Acaba”. A maratona de samba e pagode aconteceu no Espaço CentroeQuatro, localizado na Praça Rui Barbosa, na região central da cidade. O encontro reuniu diversos músicos por mais de 24 horas seguidas, entre os dias 21 e 22 de fevereiro, com o objetivo de registrar a mais longa roda de samba do mundo.

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