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Morre em BH o ‘sicário’ de Vorcaro

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como o “Sicário” de Daniel Vorcaro, morreu na noite desta sexta-feira (6), em Belo Horizonte. Segundo comunicado divulgado pela defesa, o óbito foi confirmado às 18h55, após a conclusão do protocolo de morte encefálica. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

“Informamos que o quadro clínico de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado hoje, 06.03.26, por volta das 10h15. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal, seguindo-se o protocolo legal”, destacou o comunicado.

Mourão estava internado no Hospital João XXIII desde a última quarta-feira (4). Ele havia sido preso pela manhã, na capital mineira, na esteira da operação Compliance Zero. Na cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais, Mourão teria tentado se enforcar com a própria camisa.

O homem, que é apelidado como “Sicário”, chegou a ser socorrido por agentes da PF, que realizaram manobras de reanimação por cerca de 30 minutos. Em seguida, ele foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao hospital.

Conforme apurado pela reportagem da Itatiaia, a chegada a unidade de saúde ocorreu às 17h56. Inicialmente, Mourão foi encaminhado para a sala de politrauma, onde passou por uma bateria de exames. Em seguida, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), localizada no térreo do hospital — escolha feita por ser uma área mais restrita e com menor circulação de pessoas. Durante todo o atendimento, o paciente permaneceu sob forte escolta policial.

Em entrevista na última quinta-feira (5), o advogado Robson Lucas da Silva, que atuou na defesa de Luiz Phillipi Mourão, descartou a possibilidade de “queima de arquivo” — expressão usada para definir a execução planejada de uma pessoa com o objetivo de impedir que ela faça delações.

“Não acredito em hipótese alguma. Essa possibilidade que se aventa na imprensa de queima de arquivo, eu não acredito piamente. Ele se encontrava dentro da cela. Estava com a camisa branca e, infelizmente, tomou essa iniciativa”, destacou.Sicário’ de Vorcaro

Mourão havia sido preso na operação realizada nesta quarta-feira (4) por ordem do ministro André Mendonça. Ele era investigado por atuar no monitoramento de adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, e por planejar ações violentas contra pessoas consideradas desafetas do empresário.

Na decisão que autorizou a prisão, Mendonça descreveu Mourão como responsável por atividades de obtenção de informações sigilosas, vigilância de alvos e “neutralização de situações sensíveis aos interesses do grupo investigado”. Segundo as investigações, ele recebia pagamentos mensais de cerca de R$ 1 milhão.

As apurações também citam mensagens trocadas entre Mourão e Vorcaro sobre o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que havia publicado reportagens críticas ao banqueiro. Em uma das conversas, Vorcaro sugere que o jornalista fosse seguido. Em outra, afirma que queria que ele fosse agredido em um suposto assalto.

Polícia Federal investiga possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de Justiça.

Conforme a investigação, o grupo coordenado por Mourão – identificado nas comunicações como “Sicário” – seria responsável por organizar uma estrutura dedicada ao monitoramento de pessoas e à obtenção de informações sensíveis.

Itatiaia

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