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Gasolina sobe até R$ 0,57 em BH, mesmo sem aumento da Petrobras

Os motoristas de Belo Horizonte que abasteceram nos últimos dias provavelmente já perceberam que o preço da gasolina subiu muito desde a semana passada. Um posto de combustível no bairro Carlos Prates, na região Noroeste, vendia o produto a R$ 5,99 na última quarta-feira (11/3). Nesta segunda-feira (16/3), a gasolina já estava custando R$ 6,39 no mesmo estabelecimento. As imagens foram feitas pela reportagem de O TEMPO nas duas datas e registraram um aumento de R$ 0,40 em apenas cinco dias. Em outro posto do bairro, a gasolina passou de R$ 5,39 para R$ 5,96 – uma alta de R$ 0,57 no período. 

Uma das justificativas da cadeia do setor de combustíveis para o aumento dos preços é o conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro. A escalada da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel tem causado um impacto direto no mercado global de petróleo, pressionando os preços dos combustíveis no Brasil – ainda que o mercado nacional não dependa do petróleo oriundo do Oriente Médio.

A alta nos postos acontece mesmo que a Petrobras não tenha anunciado reajuste nos valores da gasolina vendida para as distribuidoras – a decisão da última sexta-feira (13/3) se refere apenas ao diesel. Em nota, a estatal enfatizou sua política de não repassar a volatilidade do mercado externo ao consumidor.

“Considerando as nossas melhores condições de refino e logística, proporcionamos períodos de estabilidade de preços para os nossos clientes evitando a prática de reajustes diários, para cima e para baixo, adotada no passado. Essa prática é especialmente importante em momentos de alta volatilidade, como o que vivemos agora”, afirma o texto.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que o diesel teve um aumento médio de 11,8% entre os dias 8 e 14 de março – com preço médio de R$ 6,80 por litro nas bombas. Já a gasolina teve um aumento de 2,54% no mesmo período e foi negociada a R$ 6,46 o litro, em média.

Na última terça-feira (10/3), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, encaminhou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que investigue os recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em postos em Minas Gerais e outros estados. 

O Procon-MPMG, órgão do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), afirmou estar atento a “possíveis aumentos abusivos” no preço dos combustíveis no estado após ter recebido 25 denúncias em apenas dois dias. 

Diesel já teve aumento

No mesmo posto do Carlos Prates, o diesel passou de R$ 6,39 para R$ 6,99 – uma alta de R$ 0,60 em cinco dias. Mas, ao contrário da gasolina, que ainda não teve alta anunciada pela Petrobras, o diesel teve reajuste oficializado pela estatal na última sexta-feira (13/3). O aumento, de R$ 0,38 por litro, passou a valer no sábado (14/3). Para compensar as pressões internacionais, o governo federal havia concedido isenção de R$ 0,32 no PIS/Cofins por litro de combustível. Na teoria, haveria aumento real de seis centavos por litro. 

Importância do estreito de Ormuz

O combustível está no centro do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Isso porque cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passam pelo estreito de Ormuz, um corredor marítimo estreito entre o Irã e Omã. A capacidade de Teerã de bloquear o tráfego pelo canal poderia conferir ao país enorme poder de pressão sobre os Estados Unidos e seus aliados.

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