Doença vascular, lipedema causa acúmulo de gordura e dor, exigindo tratamento multidisciplinar
Mais do que um incômodo estético, o lipedema é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2022 como uma doença vascular crônica, de origem genética e hormonal. O acúmulo anormal de gordura em regiões como braços e pernas é um problema que afeta cerca de 12% da população feminina em nível mundial.
De caráter inflamatório, o lipedema não responde a dietas convencionais e não tem cura, mas o controle clínico permite uma vida normal e a redução drástica dos sintomas, segundo a cirurgiã vascular Maria Luiza Cavalieri, CEO da Clínica Cavalieri, no Vale do Sereno, em Nova Lima. A especialista ressalta que o fato de celebridades como Paolla Oliveira e Yasmin Brunet colocarem o tema em evidência, por sofrerem com a doença, ajuda a desmistificar a patologia, frequentemente confundida com celulite ou consequência da obesidade.
“Essa é uma doença progressiva. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações articulares e o comprometimento da mobilidade a longo prazo”, alerta a médica.
Os principais sintomas de lipedema incluem acúmulo de gordura desproporcional no quadril, coxas e tornozelos; sensação de peso e cansaço constante nas pernas; dor ao toque e sensibilidade; tendência a hematomas (roxos) sem causa aparente; inchaço que não melhora totalmente com repouso.
A CEO da Clínica Cavalieri explica que o tratamento se baseia em seis pilares fundamentais: dieta anti-inflamatória, prática regular de exercícios físicos; uso de compressão elástica; gerenciamento de peso, fisioterapia direcionada e medicamentos para controle da inflamação.
A cirurgia de lipoaspira-ção, diz ela, é indicada apenas em casos avançados ou de grande desconforto, exigindo que a paciente esteja sob controle clínico rigoroso há pelo menos seis meses.
Embora o lipedema não afete diretamente os vasos sanguíneos na origem, o cirurgião vascular atua como o “maestro” do tratamento. “Tratamos varizes e insuficiências venosas que estão presentes em metade das pacientes, eliminando mais um fator inflamatório que agrava o quadro”, explica a médica.
“É importante esclarecer que o diagnóstico abre um leque de oportunidades de tratamento. Diante disso, filtrar bem o que você lê e pesquisa sobre o assunto, já que é um assunto ainda novo, é importante buscar um profissional qualificado para pensar em qualidade de vida e em segundo momento com a estética”, conclui.
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