Astrônomo da UFMG descobre 31 novos conjuntos de estrelas na Via Láctea
Um astrônomo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) descobriu 31 novos aglomerados de estrelas na Via Láctea. Doutor em física pela instituição, Filipe Andrade Ferreira reportou a pesquisa em artigo publicado na revista científica internacional Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. A novidade foi divulgada pela UFMG nesta quinta-feira (16).
Os aglomerados descobertos são relativamente jovens, pouco densos e têm poucas estrelas. Os resultados reforçam ainda que a possibilidade da Via Láctea ser uma galáxia espiral floculenta, com braços mal definidos e descontínuos, ao contrário da galáxia espiral – modelo comumente associado à Via Láctea, com braços densos e bem definidos.
Dessa forma, a pesquisa amplia a compreensão da estrutura galáctica e permite desenhar graficamente os contornos da Via Láctea.
O trabalho, assinado também por outros quatro coautores, se baseou em informações disponibilizadas pela missão Gaia – iniciada em 2013 pela Agência Espacial Europeia (ESA) -, como brilho, posições e velocidades das estrelas.
A inspeção minuciosa desses dados, organizados em gráficos, possibilita que os pesquisadores identifiquem aglomerados com poucos corpos celestes ou dificilmente identificados por procedimentos automáticos (que costumam utilizar inteligência artificial para análise de enormes quantidades de dados).
UFMG entre estrelas
Desde 2018, durante o doutorado em Física, Filipe tem se dedicado ao estudo de aglomerados abertos, que possuem desde dezenas até milhares de estrelas e tendem a ser jovens. O pesquisador conta que inicialmente utilizou os dados da missão Gaia para analisar um aglomerado já registrado, com o objetivo de estabelecer métodos para trabalhos posteriores. Foi quando se deparou, por acaso, com outras três concentrações de estrelas.
“Eu já sabia que não existia nenhum objeto na região, então analisei essas três novas concentrações e me dei conta de que eram três aglomerados de estrelas desconhecidos na literatura. Eles foram rigorosamente analisados, comparados com objetos conhecidos e tiveram propriedades como idade, distância e composição química determinadas para validar as descobertas”, conta o astrônomo.
Parte dos aglomerados descobertos por Filipe foram batizados de UFMG 1, UFMG 2 e UFMG 3, em homenagem à instituição. “A partir da primeira descoberta, mantive uma vertente na minha pesquisa voltada à procura de conjuntos abertos de estrelas. Tivemos outros três trabalhos reportando descobertas em 2020, 2021 e este mais recente de 2026, totalizando 93 aglomerados descobertos”, ressalta.

