Cidade-base do Brasil na Copa tem 20 mil habitantes e é ‘capital de revolução’
A cada dois passos em Morristown, em Nova Jersey, é possível ver referências a 1776, data da Independência dos Estados Unidos. Isso se deve à importância que a cidade – escolhida como base da Seleção Brasileira para se preparar para a Copa do Mundo de 2026 – tem na história estadunidense, precisamente há 250 anos.
O No Ataque esteve na cidade-base do Brasil nos Estados Unidos nessa quarta-feira (10/6) e conversou com a população local sobre a presença do time de Carlo Ancelotti no Columbia Park, centro de treinamento do New York Red Bulls.
Algumas pessoas nem sequer sabiam que Morristown estava envolvida desta forma com a equipe pentacampeã mundial. Já outros fizeram questão de demonstrar a empolgação com a possibilidade de ver os craques na pequena cidade de 20 mil habitantes.
A curiosidade é que o futebol foi o responsável por colocar Morristown de volta aos holofotes dois séculos e meio após o país se tornar independente da Inglaterra. No entanto, o esporte que não é tão popular no local e, por isso, diferentes opiniões foram vistas na conversa com a população local.
A história de Morristown
Exatamente 250 anos antes de se tornar a “casa” da Seleção Brasileira, Morristown foi fundamental para que o país da América do Norte deixasse de ser apenas uma parte da Inglaterra. Em 4 de julho de 1776, os Estados Unidos proclamaram a independência, e a cidade em Nova Jersey foi fundamental.
Primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington escolheu Morristown para montar um quartel-geral de inverno, o que se tornou crucial para alcançar o objetivo de se desvincular dos ingleses. Até por isso, a cidade é conhecida como “a capital da revolução”, e o histórico líder norte-americano se tornou uma estátua no centro da cidade, ao lado do coronel Alexander Hamilton e o general francês Gilbert du Motier, marquês de Lafayette.
Enquanto os homens foram representados por esculturas, o número 1776 é visto em diferentes locais da cidade. O ano da independência é encontrado com frequência em estabelecimentos e placas, tendo ganhado ainda mais importância neste ano pelo 450º aniversário, o qual será completado em menos de um mês.
No entanto, mesmo com a importância durante a independência, Morristown não se tornou uma metrópole. A cidade tem pouco mais de 20 mil habitantes e mantém a calmaria e paz de um interior. Talvez esse tenha sido um dos principais motivos para a escolha da Seleção Brasileira.
A presença do Brasil em Morristown
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) escolheu o Columbia Park como “casa” com antecedência. O CT do New York Red Bulls, time da Major League Soccer (MLS), liga estadunidense de futebol, foi inaugurado no fim de abril e contou com investimento superior a 100 milhões de dólares (R$ 519 milhões).
Mas a população local sabe dessa presença do Brasil? O No Ataque encontrou diferentes respostas ao caminhar no centro de Morristown. Algumas pessoas optaram por nem conversar com a reportagem por se tratar de futebol, um tema que não é tão próximo desses moradores da cidade. Por outro lado, residentes demonstraram até o desejo em encontrar os jogadores da Seleção.
Esse é o caso de Laura. Ela estava no Morristown Green, parque no centro histórico da cidade em que as estátuas estão localizadas, e conversou com o No Ataque sobre o time verde-amarelo. A estadunidense frisou que está “empolgada” por saber que a Seleção Brasileira está na cidade, mas lamentou que ainda não viu nenhum integrante da equipe na cidade – até porque os jogadores estão no subúrbio, no Hotel The Ridge. “Estou procurando eles”, disse a simpática senhora.
Outro que se demonstrou animado por estar próximo da Seleção foi Peter. O jovem, descendente de egípcios, disse à reportagem que vai torcer pelo país africano na Copa, mas está feliz por ter craques por perto. Ele até citou Vini Jr., Raphinha, Marquinhos e Alisson como os principais nomes da Seleção.
Por outro lado, Neel fez questão de fazer uma reclamação sobre a Copa do Mundo nos Estados Unidos. Entre os moradores de Morristown que não gostam tanto de futebol, ele fez questão de falar com o No Ataque e disse que não sabia que o Brasil estava nas redondezas. A bronca do jovem-adulto passa pelo preço das entradas: “A Copa não é tão interessante porque os ingressos são caros demais para ir assistir às partidas. Se fosse mais barato, eu iria a algum jogo”.
A reclamação de Neel faz sentido ao notar que os ingressos para Brasil e Marrocos, primeiro jogo no MetLife Stadium – ocorrerá no sábado (13/6), às 19h (horário de Brasília) -, foram vendidos por até mais de 2 mil dólares (R$ 10.380). Já o transporte de trem, por exemplo, partindo da estação central rumo ao estádio que também receberá a final da Copa do Mundo de 2026, custa 98 dólares (mais de R$ 500).

