Perda de vegetação nativa deixa Brasil mais vulnerável aos efeitos do El Niño, aponta estudo
Levantamento do MapBiomas mostra redução da cobertura natural e indica maior impacto de eventos extremos em áreas desmatadas
O Brasil perdeu uma parcela significativa de sua vegetação nativa nas últimas quatro décadas e ficou mais exposto aos efeitos de eventos climáticos extremos associados ao El Niño. É o que aponta um estudo divulgado nesta quarta-feira (12), baseado em dados do MapBiomas.
De acordo com o levantamento, a cobertura de vegetação nativa caiu de 79% do território brasileiro, em 1985, para cerca de 65% em 2025. A redução representa uma perda de aproximadamente 14 pontos percentuais ao longo de 41 anos.
O estudo também analisou como diferentes tipos de cobertura do solo respondem aos efeitos do El Niño, fenômeno climático que pode provocar alterações no regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país.
Os dados indicam que áreas onde a vegetação nativa foi preservada apresentam maior capacidade de resistir aos impactos de períodos de seca e de chuvas intensas. Já regiões que tiveram a cobertura natural substituída por atividades humanas tendem a apresentar menor resiliência diante dos extremos climáticos.
Ao mesmo tempo em que a vegetação nativa diminuiu, a área ocupada pela agropecuária aumentou. Segundo os dados do levantamento, a participação das atividades agropecuárias no território brasileiro passou de 18% para 32% entre 1985 e 2025.
A perda de cobertura natural pode afetar o equilíbrio ambiental, a disponibilidade de água e a capacidade dos ecossistemas de absorver os impactos de eventos climáticos extremos.
Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância da conservação e da recuperação da vegetação nativa como estratégias para aumentar a capacidade do país de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e de fenômenos como o El Niño.

