Capitão da Flydubai relata ataque do copiloto e diz que não podia deixar todos morrerem
O capitão da Flydubai, Smit Machchhar, relatou nesta sexta-feira (2) os momentos de tensão vividos durante o voo FZ1073, que seguia de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para Tel Aviv, em Israel. O comandante foi atacado pelo copiloto durante o voo e afirmou que continuou lutando porque não poderia “deixar todo mundo morrer”.
Machchhar fez o relato durante uma videochamada com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Foi a primeira manifestação pública do piloto desde o incidente ocorrido na quarta-feira (30).
“Naquele momento, eu estava lutando pela minha vida”, contou o comandante. Segundo ele, os ferimentos foram tão graves que chegou a cair no chão da cabine de comando. Enquanto era agredido, percebeu que a aeronave estava perdendo altitude e temeu não conseguir se levantar.
Piloto abriu a porta mesmo ferido
De acordo com Machchhar, ao perceber que a aeronave estava descendo, ele fez um último esforço para alcançar a porta da cabine. Mesmo sendo atacado, conseguiu destravá-la.
A abertura permitiu que passageiros chegassem à cabine de comando. Pilotos que estavam como substitutos também participaram da ação e conseguiram retomar o controle da aeronave, enquanto o agressor era imobilizado.
“Eu estava fazendo isso pela minha vida, mas, ao mesmo tempo, sabia que não podia deixar todo mundo morrer”, afirmou o comandante.
Durante o episódio, o avião chegou a perder milhares de metros de altitude em poucos segundos. Segundo informações divulgadas pelo Flightradar24, a aeronave perdeu mais de 14 mil pés, aproximadamente 4,3 mil metros, em cerca de 30 segundos.
Aeronave fez pouso de emergência
O voo FZ1073 transportava 174 pessoas. Após o incidente, a aeronave foi desviada e realizou um pouso de emergência no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita. Todos os passageiros chegaram em segurança a Israel posteriormente, em uma aeronave substituta.
O episódio acionou sinais de emergência, incluindo o código 7500, utilizado internacionalmente para indicar uma situação de sequestro ou interferência ilícita em uma aeronave. Autoridades investigam as circunstâncias do ataque e o que teria motivado a ação do copiloto.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto aparentemente tentou derrubar o avião. As autoridades também investigam o caso como uma possível tentativa de sequestro.
Comandante ficou gravemente ferido
Machchhar sofreu ferimentos graves durante o confronto e perdeu uma quantidade significativa de sangue. O dentista Shota Musaev, que estava entre os passageiros e ajudou nos primeiros socorros, relatou que o piloto estava em estado grave após o ataque.
Inicialmente, o comandante recebeu atendimento médico na Arábia Saudita. Depois, foi transferido para um hospital em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde continua se recuperando.
Durante a conversa com Modi, Machchhar se emocionou ao relembrar o episódio. Ele contou que sua filha chegou a visitá-lo no hospital, mas ficou assustada ao vê-lo ferido. O filho mais novo, de dois anos, ainda não havia conseguido visitá-lo.
O primeiro-ministro indiano elogiou a atuação do comandante e destacou sua coragem, paciência e rapidez de raciocínio durante a emergência.
Experiência na aviação
Machchhar tem mais de uma década de experiência na aviação comercial. Antes de se tornar piloto, chegou a iniciar um curso de engenharia têxtil, seguindo inicialmente uma trajetória ligada à família, que atuava no setor têxtil. Posteriormente, decidiu seguir carreira na aviação.
Em uma entrevista a um podcast em 2025, o comandante contou que seu primeiro voo comercial foi marcado pelo peso da responsabilidade de transportar passageiros, mas que aprendeu a lidar com a pressão ao longo da carreira.
Após o ataque, autoridades de diferentes países passaram a investigar o episódio. A companhia aérea pediu cautela enquanto as circunstâncias do ocorrido são apuradas.
O caso chamou atenção internacionalmente pela sequência de acontecimentos dentro da cabine e pela atuação do comandante, dos passageiros e dos pilotos que auxiliaram na retomada do controle da aeronave.

