Mesmo com Desenrola, endividamento das famílias cresce e bate recorde
O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde, mesmo após iniciativas do governo federal para facilitar a renegociação de débitos, como o programa Desenrola. Dados divulgados pelo Banco Central na quinta-feira (29) mostram que a pressão das dívidas sobre o orçamento doméstico continua aumentando.
Em agosto de 2026, o endividamento das famílias chegou a 50,1% da renda acumulada em 12 meses. Já o comprometimento da renda com o pagamento de prestações e juros alcançou 29%, também o maior patamar da série histórica, segundo o Banco Central.
Na prática, isso significa que, a cada R$ 100 de renda, aproximadamente R$ 29 são destinados ao pagamento de dívidas e seus encargos financeiros.
Juros elevados dificultam a recuperação financeira
O cenário preocupa principalmente por causa do custo do crédito. Modalidades como cartão de crédito rotativo e cheque especial estão entre as que mais pressionam os consumidores, devido às taxas elevadas.
Segundo a análise da jornalista Juliana Rosa, publicada pela Band, os programas de renegociação proporcionaram alívio temporário para parte dos consumidores, mas não conseguiram interromper o avanço dos indicadores de endividamento.
A jornalista chama atenção para a diferença entre ter uma dívida e não conseguir honrar os compromissos financeiros.
“O problema não é ter dívidas: crédito, uma casa, um carro, comprar parcelado alguma compra. O problema é quando você não consegue pagar as dívidas”, afirmou Juliana Rosa.
Desenrola não interrompeu a alta dos indicadores
O programa Desenrola foi criado para oferecer condições de renegociação e facilitar a regularização de débitos. Apesar dos consumidores que conseguiram substituir dívidas mais caras por alternativas com condições melhores, os dados nacionais mostram que a pressão financeira permanece.
O desafio é evitar que as famílias voltem a acumular compromissos que ultrapassem sua capacidade de pagamento.
A situação também representa um alerta para o comércio e para a economia, já que o comprometimento crescente da renda reduz o dinheiro disponível para despesas essenciais e consumo.
Os números divulgados pelo Banco Central mostram que, mesmo com iniciativas de renegociação, o endividamento continua sendo um dos principais desafios financeiros das famílias brasileiras.

