Após 27 anos, filha reencontra o pai em situação de rua em BH: ‘muito emocionante’
Uma busca com poucas pistas levou ao reencontro entre uma filha e um pai em Belo Horizonte, após 27 anos de distanciamento. A procura, que durou cinco dias, teve fim nesta semana e transformou uma história marcada pela ausência em um novo ponto de partida.
Daniele Souza Pereira não via João Ricardo Pereira desde a infância. Ao longo dos anos, acumulou poucas informações sobre ele — basicamente o nome e a possibilidade de que estivesse vivendo em situação de rua. Sem outros caminhos, decidiu procurar a Polícia Civil, que acionou a Guarda Civil Municipal (GCMBH) para ajudar na tentativa de localizá-lo.
Segundo a GCMBH, o trabalho começou com poucos vestígios: uma foto 3×4 antiga e dados básicos que permitiram identificar documentos como RG e CPF. A partir dessas informações, os agentes confirmaram que João Ricardo estava inscrito no Cadastro Único.
Desafio
A evidência simples mudou o cenário e ajudou a direcionar as buscas. Mesmo assim, não havia endereço, telefone ou qualquer referência recente. A estratégia passou, então, pelo contato direto com a cidade. Equipes da Guarda percorreram restaurantes populares, abrigos, centros de atendimento à população em situação de rua e comércios do Hipercentro.
Conversas com comerciantes e frequentadores da região ajudaram a montar um caminho possível. Aos poucos, surgiram relatos de que João Ricardo trabalhava recolhendo materiais recicláveis e era visto com frequência nas proximidades da rodoviária. Com base nesses indícios, os agentes intensificaram a procura na região, e o homem, de 64 anos, foi encontrado na rua Acre, na esquina com a avenida Olegário Maciel.
Desejo de reencontro
Abordado pela equipe, João Ricardo foi informado sobre a vontade da filha de reencontrá-lo. Diante do pedido, aceitou o contato. O reencontro ocorreu na Delegacia Especializada de Referência à Pessoa Desaparecida, onde Daniele havia iniciado a busca.
“Foi um momento muito emocionante. Passei mal, abracei ele, chorei. Não tenho palavras para agradecer”, disse Daniele.
Depois de quase três décadas sem convivência, pai e filha começam agora a reconstruir o vínculo. Um novo encontro já está marcado para este sábado (18/4), quando João Ricardo deve conhecer a outra filha e os três netos.
Casos de localização na capital
Situações como essa não são isoladas. Segundo a GCMBH, 15 pessoas já foram localizadas neste ano em ocorrências semelhantes. Em 2025, foram 39 registros, principalmente nas regionais Centro-Sul, Hipercentro e Venda Nova.
As buscas costumam envolver diferentes frentes, desde o trabalho de campo em áreas de circulação de pessoas em situação de rua até o uso de tecnologias de monitoramento urbano.
Coordenador da Inspetoria da Regional Hipercentro da Guarda, Hismar Davi de Souza destaca o compromisso dos agentes envolvidos em casos parecidos, apontando que ações como essa são um importante serviço de utilidade pública. “Nos momentos em que a dor da ausência e a incerteza tomam conta das famílias é que o trabalho das forças de segurança se torna ainda mais essencial. Atuamos como ponte para a reconstrução de vínculos e histórias de vida”, apontou.

