PEÇA SUA MUSICA

Caso Master: Daniel Vorcaro aposta em perícia no celular para tentar anular provas da investigação

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, iniciou uma nova ofensiva jurídica para tentar questionar as provas reunidas pela Polícia Federal na investigação sobre as supostas fraudes financeiras envolvendo a instituição. A estratégia tem como principal argumento possíveis alterações identificadas no celular do empresário após a apreensão do aparelho pelas autoridades.

Uma perícia particular contratada pelos advogados identificou a criação e a modificação de 999 arquivos durante o período em que o dispositivo esteve sob custódia da Polícia Federal. O levantamento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o laudo, 657 arquivos teriam sido modificados e outros 436 criados em 18 de novembro de 2025, poucas horas depois da apreensão do telefone. Entre os registros apontados estão alterações em bancos de dados, arquivos de sistema e informações relacionadas ao WhatsApp.

A análise também identificou registros de atividades no aparelho, incluindo 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal e três conexões por meio da entrada USB.

Defesa questiona cadeia de custódia

Os advogados sustentam que as movimentações identificadas levantam dúvidas sobre a preservação e a integridade das informações armazenadas no telefone. A defesa questiona a chamada cadeia de custódia, procedimento responsável por documentar todas as etapas de manuseio e preservação de uma prova desde sua apreensão.

O argumento é que, caso sejam comprovadas irregularidades na manipulação do aparelho, as informações extraídas poderão ter sua validade questionada judicialmente.

A perícia particular, entretanto, não identificou quem teria realizado as alterações nem concluiu que houve adulteração intencional do conteúdo.

Com base nos apontamentos, a defesa solicitou acesso aos dados brutos da extração realizada pela Polícia Federal, aos registros técnicos, aos códigos de verificação de integridade e à documentação completa sobre o manuseio do dispositivo.

Estratégia após tentativas de delação

A contestação das provas surge depois de três tentativas frustradas de negociação de colaboração premiada. Duas propostas foram rejeitadas pela Polícia Federal e outra pela Procuradoria-Geral da República.

O celular é considerado uma das principais fontes de informações da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master.

A defesa pretende utilizar os questionamentos técnicos para pedir a revisão das medidas judiciais contra Vorcaro e, eventualmente, a retirada das provas consideradas comprometidas, além daquelas que delas possam ter derivado.

O caso segue sob análise das autoridades judiciais. As alegações apresentadas pelos advogados ainda dependem de verificação técnica e de avaliação do Judiciário.

Fonte: Itatiaia / CNN Brasil

Banner-Basis-Tech