Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) em uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil de São Paulo contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Na mesma operação, há um mandado de prisão contra Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe da facção, que já está preso. Parentes de Marcola também estão na mira.
Conforme informações apuradas pela reportagem, o ponto de partida do caso ocorreu em 2019, quando a polícia apreendeu bilhetes e manuscritos no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, com dois detentos. O material indicava a dinâmica interna da facção, a atuação de lideranças encarceradas e possíveis articulações de ataques contra agentes públicos.
A partir dessas informações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos, que aprofundaram gradualmente a estrutura criminosa investigada.
No total, são seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão, na casa de Deolane. Nos últimos dias, a advogada passou os dias em Roma, na Itália. O nome della chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas retornou ao Brasil nessa quarta-feira (20).
A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão na casal dela, e em outros endereços ligados a ela.
Transportadora e esquema de lavagem de dinheiro
O primeiro inquérito levou à identificação de referências internas da facção e citava a atuação de uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar endereços de agentes públicos.
A investigação avançou e chegou a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente apontada como instrumento de lavagem de dinheiro do crime organizado. O caso resultou na ‘Operação Lado a Lado’, que identificou movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada e crescimento patrimonial sem lastro econômico.
Nova frente investigativa e surgimento da Operação Vérnix
Durante a fase ostensiva da ‘Operação Lado a Lado’, a apreensão de um celular revelou conversas com integrantes da cúpula da facção e indícios de movimentações financeiras suspeitas, além de conexões com uma influenciadora digital de grande alcance nacional.
A partir desse material, surgiu a ‘Operação Vérnix’, que aprofundou a análise de um esquema mais amplo de lavagem de capitais, envolvendo empresas, patrimônio e transações financeiras de alto valor.
De acordo com a investigação, foram identificados indícios de incompatibilidade patrimonial, utilização de pessoas jurídicas para movimentação de valores e operações financeiras sem justificativa lícita comprovada.
Deolane passou a ser investigada por suposta participação em um sistema de circulação de recursos milionários, com aquisição de bens de alto padrão e utilização de estruturas empresariais para ocultação de origem de valores.
Medidas judiciais e bloqueio de bens
Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil, com manifestação favorável do Ministério Público, obteve da Justiça a decretação de:
- 6 prisões preventivas
- Bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões
- Sequestro de 17 veículos, incluindo automóveis de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões
- Apreensão e restrição de 4 imóveis
Três investigados são apontados como estando fora do Brasil, nos países da Itália, Espanha e Bolívia. Por esse motivo, foi solicitada a inclusão dos nomes na Lista Vermelha da Interpol, por meio de difusão internacional, para localização e eventual prisão.
O foco da investigação, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, é enfraquecer a capacidade econômica da organização criminosa por meio da identificação, bloqueio e apreensão de ativos de origem ilícita.
Itatiaia

