Golpes virtuais geram 6 queixas por hora nas delegacias de Minas
Roubo de conta do WhatsApp, centrais de atendimento bancário que não existem, lojas on-line fictícias e e-mails, mensagem de textos ou Pix falsos, só para citar alguns exemplos. A avalanche de golpes virtuais leva nada menos que seis pessoas a registrar queixas de estelionato por hora nas delegacias de Minas. O crime cibernético desafia cada vez mais as forças de segurança, que acabam de lançar uma ferramenta na tentativa de reforçar as medidas de proteção.
Dados da Polícia Civil mostram que só nos três primeiros meses deste ano já são 14.957 golpes virtuais. Em média, são 166 registros por dia – ou praticamente seis a cada 24 horas. A própria Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) admite uma tendência de crescimento e maior incidência desse tipo de crime no território mineiro.
O volume de fraudes eletrônicas é um sinal dos tempos de digitalização de várias atividades corriqueiras das pessoas. Tendência acentuada ainda mais desde a pandemia da Covid-19, nos anos de 2020 e 2021. Não bastassem as fraudes digitais terem se tornado cada vez mais frequentes, estão ainda mais sofisticadas.
Roubo de dados pessoais e senhas
Criminosos usam páginas falsas que simulam instituições financeiras, links maliciosos enviados por aplicativos de mensagens e técnicas de engenharia social para induzir as vítimas ao compartilhamento de dados sensíveis, como senhas e informações bancárias.
Um tipo de golpe recorrente envolve a clonagem de contas em aplicativos de mensagens. Em um dos casos registrados recentemente em Minas, a vítima recebeu mensagens de um número novo corporativo com foto da irmã, que estava em viagem, para pedir uma transferência em Pix. Utilizando o histórico de conversas, os criminosos reproduziram a forma de escrita da familiar, o que conferiu credibilidade ao pedido. Sob o pretexto de uma urgência, solicitaram R$ 1,5 mil para uma chave Pix informada na conversa, valor que foi enviado antes que a fraude fosse identificada.
Conforme a Sejusp, casos como esses demonstram a importância de atenção a mudanças no comportamento digital de contatos conhecidos, especialmente diante de pedidos urgentes ou fora do padrão.
Diante deste cenário, a Sejusp, em parceria com o Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), disponibilizou um guia prático de segurança digital com orientações voltadas à prevenção de crimes cibernéticos e à proteção de dados pessoais.
O material reúne informações acessíveis sobre as principais ameaças do ambiente virtual e medidas básicas de proteção, e está disponível no link crimes-virtuais.seguranca.mg.gov.br/index.html.
O que a pessoa vai encontrar no guia?
O guia apresenta explicações sobre práticas como phishing, malware, engenharia social, ransomware e deepfakes, detalhando características, sinais de alerta e formas de identificação, além de estratégias de prevenção, com destaque para a importância da verificação de remetentes, cautela ao acessar links e compartilhamento de informações pessoais, além do uso de ferramentas de proteção, como antivírus e backups regulares.
Além disso, o site conta com métodos de atuação diante de tentativas ou ocorrências de golpes, com orientações sobre preservação de provas e comunicação às autoridades competentes, como a Polícia Militar e a Polícia Civil. O material inclui ainda recomendações voltadas à segurança em transações financeiras digitais, considerando o aumento do uso de serviços online e os riscos associados.
Para o subsecretário de Integração da Segurança Pública da Sejusp MG, Christian Vianna de Azevedo, é preciso desarticular as engrenagens financeiras que sustentam redes de crime organizado, inclusive no ciberespaço.
“Combater o crime organizado hoje é entender sua lógica econômica e tecno-lógica: seguir o dinheiro, proteger dados e reduzir, de forma estruturada, sua capacidade de financiamento”, acrescenta.
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