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Mineira com ‘pior dor do mundo’ perde casa durante temporal na Zona da Mata

Aos 75 anos, Maria Teresa do Vale Oliveira enfrenta uma das condições mais dolorosas da medicina: a neuralgia do trigêmeo, doença conhecida por provocar uma das dores mais intensas que um ser humano pode sentir. Nos últimos dias, além da batalha diária contra a enfermidade, ela precisou lidar com outra perda profunda: a casa onde viveu por mais de quatro décadas foi atingida por uma enxurrada de lama durante o temporal que atingiu Juiz de Fora, na Zona da Mata.

O imóvel, localizado no bairro Monte Castelo, havia sido doado por benfeitores há 41 anos. Foi ali que Maria Teresa construiu a vida ao lado do marido, que teve as pernas amputadas, e criou os três filhos. Ao longo dos anos, a família enfrentou muitas dificuldades até conseguir melhorar as condições da casa. “Era um sonho”, começa.

A lembrança desse caminho torna a perda ainda mais dolorosa. Maria Teresa conta que, antes da casa atual, a família vivia em uma construção simples de madeira e precisou de muito esforço para conquistar melhores condições. “Meu filho mais velho veio tomar banho de chuveiro quando já tinha 18 anos. Antes a gente tomava banho de bacia. A gente viveu assim. Depois conseguimos construir lá no fundo, com muitos trancos e barrancos, muito sacrifício”, relembra.

Todo esse esforço, segundo ela, parece ter sido levado embora em poucos minutos durante o temporal. Quando percebeu o risco, a família precisou deixar o local às pressas. “De repente você está vivendo a sua vida e, do nada, tem que sair sem nada, largar tudo. E vai fazer o quê? A gente só sai”, diz.

Sem ter para onde ir naquele momento, Maria Teresa e os familiares seguiram para a Escola Municipal Paulo Rogério, que foi transformada em abrigo para moradores atingidos pelas chuvas. O retorno ao local da casa ainda é cercado de dor e curiosidade. Mesmo querendo ver de perto o que restou do imóvel, ela diz que os filhos preferiram poupá-la da cena. “Meu filho foi lá, mas não me deixou entrar. Eles não deixaram eu entrar lá dentro. Mas eu quero entrar, eu quero ver”, afirma.

Em meio à tragédia, Maria Teresa também precisa lidar com as crises provocadas pela neuralgia do trigêmeo, condição que causa dores intensas no rosto e exige medicação constante. “Eu tenho que tomar esse remédio, não posso ficar sem. Só quem teve isso aqui sabe a dor que é. Dizem que está entre as dez piores dores do mundo. Eu não desejo isso nem para o meu pior inimigo”, relata.

Mesmo enfrentando a própria dor, Maria Teresa diz que ainda se sente grata por ter sobrevivido ao temporal, especialmente ao pensar nas pessoas que perderam familiares durante a tragédia. “Graças a Deus a gente está vivo. Eu fico pensando nas pessoas que perderam a família, que perderam tudo. Nossa, é muito triste”, diz em meio às lágrimas

Depois de dias de incerteza, a família conseguiu alugar uma casa para ficar temporariamente. O proprietário do imóvel ajudou com alguns móveis, mas a sensação ainda é de que estão apenas de passagem. “Conseguimos alugar essa casa e o dono deu alguns móveis. Mas não é a nossa casa. A nossa casa é lá. Só que a gente nem sabe se vai ter condição de voltar”, lamenta.

Agora, diante da destruição provocada pelas chuvas, Maria Teresa tenta seguir em frente, mesmo sem saber exatamente como será o futuro. “De repente a gente vê tudo assim e tem que sair. Mas a gente vai levando. O que der para fazer, a gente faz. E vai vivendo. Tudo está nas mãos de Deus”, finaliza.

O que é neuralgia do trigêmeo?

De acordo com informações do Hospital Albert Einstein, a neuralgia do trigêmeo provoca uma dor intensa na região do rosto, por onde passa o nervo trigêmeo, responsável pelas sensações táteis, térmicas e dolorosas da face. A dor pode ocorrer diversas vezes ao dia, com intervalos irregulares.

A condição é considerada uma das mais raras e cruéis do mundo. A literatura médica aponta que menos de 0,3% da população sofre com a enfermidade.

O Tempo

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