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Padaria investigada por sonegar R$ 15 milhões utilizava motoboys como sócios em empresa de fachada

Operação Bethlehem apura esquema de fraude fiscal envolvendo a rede de padarias Sayonara; Justiça determinou sequestro de bens e apreendeu R$ 107 mil em espécie.

A Rede de Padarias Sayonara é alvo de uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por suspeita de sonegação fiscal que ultrapassa R$ 15 milhões entre os anos de 2017 e 2022. A apuração levou à deflagração da Operação Bethlehem, realizada nesta quarta-feira (19), que identificou um esquema de ocultação de receitas por meio de uma empresa fantasma registrada em nome de motoboys e outros “laranjas”.

De acordo com o delegado Gabriel Eduardo, responsável pelo caso, a participação de motoboys como sócios formais levantou suspeitas imediatas devido à incompatibilidade entre a renda declarada e o faturamento das empresas envolvidas. “O fato de terem motoboys envolvidos, pessoas com rendas incompatíveis com o valor de faturamento das empresas, chamou nossa atenção”, afirmou.

Empresa de fachada operava máquinas de cartão para ocultar vendas

A investigação aponta que a empresa fantasma era registrada em nome de dois laranjas: o sobrinho do contador da rede e um funcionário do próprio escritório de contabilidade. Em nome dessa empresa foram habilitadas diversas máquinas de cartão de crédito e débito, usadas para registrar vendas que não apareciam nos controles oficiais da Rede Sayonara.

Com isso, parte significativa do faturamento das padarias e de antigas farmácias que pertenciam ao grupo era desviada dos demonstrativos formais, permitindo a redução artificial da receita e, consequentemente, a sonegação de impostos.

Durante depoimento à polícia, o sobrinho do contador confessou envolvimento no esquema. Segundo o delegado, ele afirmou que recebia pagamentos para comparecer ao cartório e assinar documentos necessários para manter a empresa fictícia ativa.

Crimes investigados e penas previstas

Os envolvidos podem responder por uma série de crimes, incluindo:
• Sonegação fiscal
• Falsidade ideológica
• Associação criminosa
• Lavagem de dinheiro

Somadas, as penas podem chegar a 24 anos de prisão, dependendo do grau de participação de cada investigado.

Operação apreende dinheiro, veículos e determina sequestro de bens

A Operação Bethlehem mobilizou 60 policiais civis e resultou no cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão em endereços no Gama, Santa Maria, Ceilândia e Valparaíso de Goiás (GO).

Foram apreendidos R$ 107 mil em espécie e seis veículos. Além disso, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores equivalentes a R$ 15,5 milhões, montante estimado da dívida tributária acumulada, como forma de garantir o ressarcimento aos cofres públicos e enfraquecer o poder econômico do grupo investigado.

Até o momento, oito pessoas foram identificadas como participantes diretos do esquema, mas o delegado Gabriel Eduardo afirma que o número pode aumentar. “Há indícios de lavagem de dinheiro a serem aprofundados”, afirmou.

Rede Sayonara é uma das maiores do Gama

A rede investigada é uma das maiores do setor no Gama (DF), e chegou a manter farmácias registradas com o mesmo nome das padarias, que posteriormente foram encerradas. Além das unidades no Gama, a empresa também possui um estabelecimento na Samambaia Sul.

A investigação teve início há 12 meses, após uma denúncia formal apresentada pela Receita do Distrito Federal, que identificou indícios de irregularidades fiscais e acionou a PCDF para apuração detalhada.

O outro lado

Em nota, a Rede Sayonara afirmou ter recebido com surpresa a operação e negou envolvimento em irregularidades. “A empresa pauta suas atividades pela estrita legalidade e transparência, mantendo um histórico de rigoroso cumprimento de suas obrigações fiscais e regulatórias”, declarou.

A empresa acrescentou que está colaborando integralmente com as autoridades:
“As redes de padarias e farmácias se colocaram à inteira disposição e estão fornecendo toda a documentação e informações solicitadas para o completo esclarecimento dos fatos.”

Fonte: Metrópoles – www.metropoles.com

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