Pai de Vorcaro é investigado pela Polícia Civil por suposto golpe de R$ 10 milhões; entenda
O pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais por suposto envolvimento em um esquema de fraude à execução de dívida. Fontes ligadas à instituição informaram que Henrique seria diretor de uma suposta sociedade de fachada chamada Milo Investimentos S.A., com prejuízo estimado em R$ 10 milhões. Por meio de nota, a PCMG confirmou que apura o caso, mas não divulgou detalhes porque o processo tramita em segredo de Justiça. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (4/3), por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Segundo as investigações, ele seria líder de uma estrutura informal denominada “A Turma”.
O inquérito que envolve Henrique tramita na Delegacia Especializada de Crimes Contra a Ordem Tributária. De acordo com a PCMG, “diligências estão em andamento, e outras informações serão repassadas ao término dos trabalhos investigativos”. Conforme relatado à reportagem por fonte que pediu anonimato, o enquadramento jurídico é o artigo 179 do Código Penal. Na prática, o dispositivo pune quem tenta fraudar a execução de uma dívida já cobrada judicialmente, como nos casos em que há ocultação de bens, transferência de patrimônio a terceiros ou simulação de venda para evitar penhora.
A reportagem tentou contato com a defesa de Henrique Vorcaro, mas não obteve retorno. A empresa citada também foi procurada, sem sucesso. O espaço permanece aberto para manifestações.
No site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), consta que o processo foi distribuído em 26 de novembro do ano passado, ou seja, registrado oficialmente no sistema e encaminhado a uma vara. O caso está sob responsabilidade da 1ª Vara das Garantias da Comarca de Belo Horizonte. Conforme a movimentação processual, nesta quarta-feira (4/3), há registro, sem detalhamento, de “expedição de comunicação via sistema”.
Além de Henrique Moura Vorcaro, a empresa Milo Investimentos S.A. figura como investigada. Também consta que o Ministério Público de Minas Gerais foi acionado.
Investigação anterior
Henrique Vorcaro já havia sido alvo de investigação da Polícia Federal. A apuração identificou uma conta bancária em seu nome com saldo superior a R$ 2,2 bilhões, depositado na CBSF DTVM, conhecida como Reag.
Segundo as autoridades, a Reag administrava fundos de investimento que teriam sido utilizados para a circulação de recursos desviados do Banco Master, instituição que pertencia a Daniel Vorcaro. A descoberta ocorreu em novas fases da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraude financeira, lavagem de dinheiro e uso indevido de recursos públicos.
Entre os desdobramentos está a determinação judicial de bloqueio e sequestro de bens que podem alcançar R$ 22 bilhões. A investigação também aponta que os valores atribuídos a Henrique estariam aplicados em uma gestora suspeita de atuar em conjunto com o Banco Master para inflar artificialmente o patrimônio da instituição, por meio da utilização de chamados “ativos podres” e da concessão de empréstimos a empresas de fachada.
Além de Henrique, Daniel Vorcaro e o genro Fabiano Zettel são apontados como alvos centrais da operação. Ambos foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória em Guarulhos. De acordo com a PF, Zettel seria operador financeiro de uma estrutura descrita pelos investigadores como “milícia privada”, supostamente liderada por Daniel, com o objetivo de intimidar adversários e jornalistas.
A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades e afirma que o empresário sempre colaborou com as autoridades, alegando que mensagens citadas nas investigações foram retiradas de contexto. Já a defesa de Fabiano Zettel informou que ele se apresentou voluntariamente e está à disposição para esclarecimentos.
Entenda a Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero é conduzida pela Polícia Federal para apurar um suposto esquema de fraudes financeiras ligado ao Banco Master e ao seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
As investigações apuram a criação de créditos supostamente fictícios para inflar o patrimônio da instituição, o uso de fundos de investimento para conferir aparência de legalidade às operações, indícios de lavagem de dinheiro (inclusive com possíveis conexões com o crime organizado) e suspeitas de ocultação de bens por meio de estruturas complexas no mercado de capitais.
Além das irregularidades financeiras, as apurações indicam que o investigado teria liderado uma estrutura privada voltada à intimidação de opositores, incluindo jornalistas e funcionários.
O caso teve repercussão política e jurídica, com prisões preventivas, afastamento de servidores do Banco Central e processos em tramitação no STF. Outros empresários e gestores também são investigados por supostas conexões com movimentações ilícitas.
Por se tratar de operação em andamento, os fatos ainda estão sob apuração e dependem da conclusão das investigações e de eventual julgamento pela Justiça.
O Tempo

