Pesquisas erram resultados do 1º turno para presidente, governos estaduais e Senado
As eleições de 2026 voltaram a expor a dificuldade dos institutos de pesquisa em antecipar com precisão o resultado das urnas. No primeiro turno, levantamentos divulgados nos dias que antecederam a votação apresentaram diferenças em relação aos percentuais efetivamente registrados.
Na disputa pela Presidência, por exemplo, as últimas pesquisas apontavam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado das urnas, porém, mostrou Flávio com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Entre os levantamentos finais, a AtlasIntel indicava 47% para Lula e 44% para Flávio. O Datafolha apontava 45% a 42%, enquanto a Quaest registrava 46% para Lula e 45% para o candidato do PL.
Especialistas avaliam que fatores como a definição do voto nos últimos dias, o chamado voto útil e a abstenção podem ajudar a explicar parte da diferença entre as pesquisas e a apuração oficial. A avaliação é que os levantamentos retratam a intenção de voto no período em que são realizados e não necessariamente funcionam como uma previsão exata do resultado.
A diferença também foi observada em disputas pelos governos estaduais e pelo Senado, reacendendo o debate sobre os limites das pesquisas eleitorais e sobre a capacidade dos institutos de captar mudanças de última hora no comportamento do eleitor.
Além disso, alguns institutos enfrentaram questionamentos e decisões judiciais relacionadas à metodologia utilizada. O Instituto Veritá, por exemplo, teve pesquisas contestadas ou barradas em diferentes estados ao longo do ano por problemas apontados pela Justiça Eleitoral.
Apesar das divergências, especialistas ressaltam que uma pesquisa de intenção de voto não deve ser confundida com uma previsão do resultado eleitoral. Ela representa um retrato estatístico do momento em que os eleitores foram entrevistados.

