Delegada que emprestou viatura ao marido ganha nova licença médica da PC
A delegada Wanessa Santana Martins Vieira, investigada por peculato por emprestar uma viatura descaracterizada ao marido, o advogado Renan Rachid, recebeu nova licença da Polícia Civil por questões médicas. Inicialmente, ela foi afastada por 30 dias a partir de 11 de abril.
Agora, a partir desta segunda-feira (11/5), a delegada recebeu o atestado médico por 45 dias. Durante o período de afastamento, ela recebe normalmente o salário. O afastamento foi oficializado pelo Hospital da Polícia Civil no Diário Oficial de sábado (9/5). O hospital, no entanto, não informou o motivo do afastamento.
O casal responde a investigação pelo crime de peculato, que começou após o advogado ser preso usando uma viatura descaracterizada para uso pessoal. Ele foi abordado em uma operação da Polícia Civil na região da Pampulha, em Belo Horizonte, em 10 de março. A delegada foi presa em seguida. Ambos foram soltos em audiência de custódia mediante pagamento de fiança.
Wanessa Santana era titular de uma delegacia em São José da Lapa. Com o início das investigações, a delegada foi transferida de unidade por decisão administrativa. A servidora foi removida para a 1ª Central Estadual do Plantão Digital, em Belo Horizonte. A remoção ocorreu “por conveniência da disciplina”, expressão usada em procedimentos administrativos quando a chefia da corporação decide transferir um servidor após apuração interna. A medida foi tomada após sindicância conduzida pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Apesar de parecer uma promoção, já que a servidora saiu de uma cidade menor para a capital, fontes ouvidas pela reportagem garantem que a transferência é uma espécie de punição ou de perda de prestígio, já que a delegada era titular da unidade em São José da Lapa e, agora, atuaria em uma delegacia de plantão, local considerado de muito trabalho e de resoluções complexas.
No mês passado, a Justiça negou pedido da defesa da delegada Wanessa Santana e do marido dela, Renan Rachid, para que fosse decretado sigilo no inquérito de peculato em que ambos são investigados. Conforme documento obtido pela reportagem, a defesa pediu sigilo total do caso para “proteção à imagem e presença de documentos médicos” da delegada e do marido.
O que é peculato?
O peculato é um crime cometido por funcionário público que se apropria ou desvia dinheiro, bens ou valores sob sua responsabilidade em decorrência do cargo. Em outras palavras, ocorre quando alguém que trabalha para o poder público usa recursos públicos em benefício próprio ou de outra pessoa.
O Tempo

